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HISTÓRIA DO CNE

Bandeira Nacional do CNE


Fundada em 1912. A AEP é uma associação que não se identifica com nenhuma religião em particular (embora promova a crença em Deus, condição essencial para se ser Escuteiro).

A segunda associação é o CNE (Corpo Nacional de Escutas). O CNE é um Movimento Católico estando portanto ligado à Igreja Católica.

Também existe a AGP (Associação das Guias de Portugal). As Guias foram também criadas por Baden-Powell, e são a vertente feminina do Escutismo. O Guidismo surgiu pouco depois do aparecimento do Escutismo pois quando o Escutismo foi criado destinava-se apenas a rapazes.

O Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português, nasceu em Braga a 27 de Maio de 1923. Foram seus fundadores o Arcebispo D. Manuel Vieira de Matos e Dr. Avelino Gonçalves, que em Roma mantiveram os primeiros contactos com o Movimento, quando ali assistiram em 1922, a um desfile de 20.000 Escuteiros, por ocasião do Congresso Eucarístico Internacional que esse ano se realizou na Cidade Eterna.

Depois de bem documentados regressaram a Braga e rodearam-se de um grupo de 11 bracarenses que, a 24 de Maio de 1923, faziam a sua primeira reunião, no prédio nº 20 da Praça do Município, para estudarem a possibilidade e oportunidade da criação de um grupo de Scouts Católicos em Portugal: assim nasceu o Corpo de Scouts Católicos Portugueses, cujos estatutos foram aprovados a 27 de Maio desse mesmo ano pelo governador civil de Braga, e confirmados em 26 de Novembro pela portaria nº 3824 do Ministério do Interior e Direcção Geral de Segurança, começando a partir desse dia a existir oficialmente, com legalidade e personalidades jurídica.

A 26 de Maio de 1924 é publicado o Decreto-Lei nº 9729, que confirma a aprovação dos estatutos e alarga a todo o território português o âmbito da Associação.

Em Janeiro de 1925, reuniu em Braga pela primeira vez a Junta Nacional com: D. Manuel Vieira de Matos, Director Geral; D. José Maria de Queirós e Lencastre, Comissário Nacional; Dr. Avelino Gonçalves, Inspector Mor; Capitão Graciliano Reis S. Marques, 1º Vogal e Álvaro Benjamim Coutinho, 2º Vogal.

O Movimento estende-se de Norte a Sul de Portugal e, como meio de informação entre todas as Unidades apareceu em Fevereiro de 1925 o 1º número do jornal “Flor de Lis” que mais tarde, em Janeiro de 1945, se apresentava em forma de revista.
Ainda em 1925, a 28 de Fevereiro, o Diário de Governo ratifica a aprovação dos Estatutos do CNS. A 15 de Março foi aprovada a nova redacção do Regulamento Geral e ainda nesse ano, alguns responsáveis do Movimento deslocaram-se a Roma e foram recebidos pelo Papa Pio XI, que lhes dirigiu palavras de muito apreço e encorajamento pelo progresso e expansão do Movimento em Portugal.

O ano de 1926 foi de intensa actividade e projecção para o CNE. Durante o mesmo foram criadas e aprovadas as Juntas Regionais de Portalegre, Açores, Coimbra, Lisboa e Núcleo do Porto, que vieram juntar-se à de Leiria, criada no ano anterior. Prova inequívoca do interesse que o Escutismo Católico estava a despertar na população portuguesa foi também o 1º Acampamento Nacional que, em Agosto desse ano, se realizou em Aljubarrota, e durante o qual foi entronizada na capela de São Jorge a imagem do Beato Nuno, transportada para ali num impressionante cortejo de mais de 10 000 pessoas. Este acampamento serviu como rastilho para galvanizar os entusiasmos da juventude portuguesa de tal modo que, no ano seguinte, foram constituídas as Juntas Regionais da Guarda, Viseu e Madeira e os Núcleos da Régua, Coimbra e Aveiro.

Os progressos do Movimento eram tais que, no Conselho Nacional reunido em Braga em Maio de 1927, o Arcebispo fundador afirmava que “O Escutismo é a maior obra católica no meu país” e a testemunhá-lo realizava-se logo em Dezembro desse ano o 1º Congresso de Assistentes do Movimento; em Março de 1928, após alguns meses de negociações foi aprovado o estatuto das várias Associações Escutas de Portugal com vista à sua Federação; em Agosto realizou-se em Cacia o 2º Acampamento Nacional… ainda nesse ano o Movimento chega a Moçambique (Cidade da Beira).

A 5 de Março de 1929 Baden Powell visita Portugal e assiste em Lisboa a um desfile de 700 Escutas que o aplaudem com entusiasmo; em Abril desse ano realiza-se em Coimbra o 1º Congresso Nacional de Dirigentes e a 2 de Maio o CNS é admitido no Bureau Mundial do Escutismo; em 16 de Junho foi inaugurada a sede da Junta Central, na Rua da Boavista em Braga, estando presentes o Arcebispo fundador e as autoridades civis e militares da cidade; em Agosto, 26 elementos tomam parte no 3º Jamboree Internacional de Arrow Park, merecendo o seu testemunho um ofício do próprio Baden Powell, dirigido ao Presidente da República de Portugal dizendo: “… distinguiram-se no campo pela sua inteligência, disciplina e eficiência e sobretudo pela sua amabilidade, encantador espírito de amizade para com os seus irmãos Escuteiros e para com quem estivessem em contacto.”

Em Agosto de 1930 realizou-se na praia da Granja o 3º Acampamento Nacional; a 9 de Julho do ano seguinte no regresso da sua viagem à África do Sul, Baden Powell visitou os escuteiros da Madeira; a 29 de Junho de 1932 foi publicado o Decreto que regularizava a Organização Escutista em Portugal; em Braga – berço do CNE – teve lugar o 4º Acampamento Nacional onde se levantaram 93 tendas e acamparam 464 Escutas. A 28 de Setembro de 1932, tombou o gigante: às primeiras horas desse dia D. Manuel Vieira de Matos rendeu a sua alma ao Criador e partiu em direcção ao Acampamento Eterno.

Contava 71 anos de idade e o CNE sentiu por dentro a partida do seu fundador! No ano seguinte é a vez do Dr. Avelino Gonçalves deixar também o Movimento que ajudou a nascer e carinhosamente fez crescer, para se dedicar a outro múnos do seu Ministério. Sucede-lhe no CNS o Cónego Martins Gonçalves.

No ano de 1934 foi publicado o 1º Regulamento que permitiu a entrada de senhoras para o CNS como Dirigentes de Alcateia e a 12 de Abril do mesmo ano, Baden Powell chega a Lisboa acompanhado da esposa e 700 Dirigentes ingleses. Devido ao seu precário estado de saúde não pôde sair do barco, mas um garboso desfile com cerca de 2 mil Escutas foi ao cais saudar o Chefe Mundial que nos visitava pela segunda vez. Em Novembro foi publicado o novo Regulamento onde aparece oficialmente a nova designação de ESCUTAS em substituição de “Scouts”, desaparecendo definitivamente o CNS para aparecer O Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português.

Em 1935, reunido no Porto, o Conselho Nacional substituiu o termo de “Director” por Assistente e “Inspector” por Secretário (Nacional). 1936 é um ano difícil para o CNE, talvez o mais crítico de toda a sua existência! A Organização Escutista de Portugal é extinta pela Portaria nº 8488, publicada no Diário da República de 13 de Agosto de 1936, e o CNE volta a regular-se pelo Decreto Nº 10589 de 14 de Fevereiro de 1925. A situação é crítica porque a oficialização dos movimentos juvenis por parte da Igreja e do Estado deixaram o Escutismo como que ao abandono, mas a coragem, dedicação e espírito escuta de um bom punhado de Dirigentes afastaram o perigo e evitaram o naufrágio, e assim, em Agosto desse ano, já se realizava em Leiria o 6ª Acampamento Nacional. Em Agosto de 1939 teve lugar na Madeira o 2º Congresso Nacional de Dirigentes. No ano das comemorações centenárias (1940), o CNE quis assinalar a sua presença neste jubileu da nacionalidade. O Conselho Nacional da Figueira da Foz delibera levantar o seu cruzeiro da independência na Cidade Berço, Guimarães, solenemente inaugurado a 8 de Dezembro, dia da Imaculada.

Em 1941, como os Escutas de todo o mundo, o CNE sente profundamente a morte de Baden Powell que faleceu no Quénia a 8 de Janeiro desse ano, com 83 anos de idade e uma extensa e brilhante folha de serviços prestados à humanidade.

Sucedem-se os 7º e 8º Acampamentos Nacionais em Tomar (1946) e em Braga (1948). E em 1950, procede-se à aprovação de novos Estatutos e publica-se novo Regulamento Geral. Aliás, estas duas décadas que se vão seguir (50/60) parecem ter dado origem a uma pequena “revolução” após as vicissitudes atrás referidas. Com efeito, ainda em 1950 (a 5 de Novembro) a Junta Central transfere-se para Lisboa e nos anos seguintes vários Dirigentes deslocam-se ao estrangeiro (nomeadamente a Gilwell Park, em Londres) para frequentarem Cursos de Formação de Dirigentes. Sucedem-se os Campos-Escola e os Acampamentos Nacionais que continuam a reunir já não centenas, mas milhares de Escutas. Foi assim com os 9º, 10º e 11º Acampamentos Nacionais que se realizaram em Coimbra (1952), Porto (1956) e Lisboa (1960). É também em Lisboa que, no ano seguinte, se realiza, de 19 a 25 de Setembro, a Conferência Internacional do Escutismo. O CNE cresce a olhos vistos e assiste em 1963, à inauguração, em Fraião, de um Campo Escola permanente que incrementará, sem dúvida, as possibilidades de Formação de Dirigentes. Logo, no ano seguinte, novo Acampamento Nacional, 12º, desta feita na Covilhã, evidenciando-se assim uma preocupação pelo desenvolvimento do Escutismo no interior do país.

Assim se realiza em 1966 e a 15 de Agosto em Fátima o 1º Encontro Nacional de Dirigentes, a que se segue em 1968 e em Portalegre o 13º Acampamento Nacional. O Jubileu do CNE, verificou-se em 1973, com grande pompa, numa Concentração Nacional em Braga (no mês de Maio) e com o 14º Acampamento Nacional em Leiria. O CNE lança “alicerces” para o futuro: com as transformações da sociedade portuguesa, que viria a assistir à Revolução de Abril de 1974, também no CNE se operaram transformações. Em Julho de 1974, a Junta Central considera-se demissionária e o Conselho Nacional nomeia uma Comissão Executiva que passa a gerir a Associação. Este processo conduz à aprovação dos novos Estatutos, em 9 de Março de 1975, em consequência dos quais é empossada a 1ª Junta Central eleita por sufrágio directo, tendo como Chefe Nacional Manuel António Velez da Costa, o qual viria a ser reconduzido no cargo em 1980, igualmente através de eleições nacionais.

Em 1976, uma conclusão do Conselho Nacional admite, com condições, a admissão de jovens do sexo feminino para as várias Secções, altura que é considerada por alguns sectores da Associação como o lançamento da coeducação no CNE. Em 1978 realiza-se o 15º Acampamento Nacional em Aveiro, já com um campo sénior para a III Secção, entretanto criada, para os jovens dos 14 aos 17 anos, com os Estatutos de 1975.

Em 1980, finalmente, em Ermesinde, o Conselho Nacional reúne extraordinariamente para lançar um novo Sistema de Formação de Dirigentes. Com o seu mandato a terminar, a equipa de Velez da Costa, numa “ponta final impressionante”, consegue dirigir a Associação num caminho que passou, em 1981, por uma revisão estatutária (concluída em 26 de Setembro) até à revisão geral do Regulamento do CNE, que ficaria concluída em princípios de 1984, para entrar em vigor em 1 de Março do mesmo ano. No ano seguinte (28/05/1982) uma representação dos Comités Mundial e Europeu deslocam-se a Portugal, onde entregam ao CNE e à AEP, que recentemente haviam fundado e constituído a FEP (Federação Escutista de Portugal), o respectivo diploma. Caminho que assistiu ainda à realização do 16º Acampamento Nacional em Setúbal, em 1983, numa altura em que se davam os primeiros passos do acordo celebrado entre o CNE e o MSC (Movimento Scout Católico de Espanha), após uma Cimeira Ibérica das duas Associações. Tudo, entretanto recheado com duas prendas: a “Medalha de Bons Serviços Desportivos” e o reconhecimento do CNE – Escutismo Católico Português, como Instituição de Utilidade Pública, conforme despacho do Primeiro-Ministro, publicado no Diário da República, II série, de 3 de Agosto de 1983.

Os últimos vinte anos ficam marcados por uma grande expansão do Escutismo e aumento dos efectivos, em todo o Continente e Regiões Autónomas. Novas áreas são desenvolvidas. A do Ambiente com a inauguração em 1988 do Centro Nacional de Formação Ambiental, em S. Jacinto, com toda a gama das mais diversas campanhas, onde se destaca a de “Um Milhão de Árvores”. Campanhas como a do Calendário Escutista, a do Seguro Escuta, a da sede própria e outras vêm concretizar o nosso património. A nível pedagógico dá-se realce ao aparecimento das Metodologias Educativas para cada uma das quatro Secções, livros, revistas, fichas e manuais.

Rover’s, encontros e fóruns de Caminheiros, expansão do Escutismo Marítimo, a forte sensibilização do Escutismo de integração, são pontos fortes na vida da Associação. Os últimos três Acampamentos Nacionais, como o de Bagunte em 1987, o do Palheirão em 1992, em que Governo atribuiu a Ordem de Mérito, como reconhecimento pelo trabalho do CNE junto dos jovens portugueses e o de Valado de Frades em 1997, constituíram pontos altos na vida da Associação e dos milhares e milhares de jovens participantes. E em 2001, o Acampamento Nacional para Caminheiros (o Rover 2001) e em 2002 o “XX ACANAC” em Abrantes para a I, II e III Secções. Mas novos e grandes desafios se apresentaram ao CNE, como o maior Movimento de Juventude Nacional, com a aprovação pela “European Scout Region” do Rover Way, já concretizado em 2003.

Já em 2007 foi inaugurado em Idanha-a-Nova o Centro Nacional de Actividades Escutistas, mais um parque escutista do CNE. Foi neste local que se realizou o 21º Acampamento Nacional, em Agosto de 2007, onde 10 000 participantes, em sintonia com o resto do mundo, celebraram o Centenário do Movimento Escutista.

Também em Idanha-a-Nova, no Centro Nacional de Actividades Escutistas, mas em Agosto de 2012, realizou-se o 22º Acampamento Nacional. Este acampamento foi a maior actividade escutista jamais realizada em Portugal tendo participado 17100 escuteiros, sob o tema "Escuteirar - Educar para a Vida"!

Actualmente o CNE conta com mais de mil Agrupamentos activos espalhados por todo o território nacional e com cerca de 72.000 Escuteiros.